quinta-feira, 30 de julho de 2020

Visitar um idoso é uma forma de amá-lo: Reflita

Quantas vezes ouvimos falar em idosos abandonados em suas casas ou “despejados em lares”? Infelizmente acontece muitas vezes. Ultimamente até se tem ouvido nas notícias casos de idosos que foram encontrados mortos em suas casas dias depois. 

Tenho uma enorme dúvida na minha cabeça… será que perdemos o respeito? Será que perdemos a noção de que os idosos também são humanos, que são como eu, tu e qualquer outra pessoa, apenas com mais experiência da vida? 
Será que não nos lembramos que um dia também seremos idosos? Será que hoje em dia damos tanto valor a um carro novo mas não somos capazes de respeitar o homem e mulher que nos trouxeram ao mundo? Não estaremos a inverter as nossas prioridades?

Tenho pena que hoje em dia os idosos se sintam abandonados na sua própria casa, pela sua própria família, aqueles a quem dedicaram toda a sua vida a amar e que agora são incapazes de retribuir. Custa-me ver a sua carência de afecto e de atenção causada pelo desprezo dos que não sabem dar valor à experiência da vida.

Não tenciono ofender ninguém que coloca familiares em lares ou casas similares, por vezes é mesmo a melhor opção para eles. Em casa já não tinham condições para estar sozinhos e ali têm alguém a olhar por eles e outras pessoas com quem conviver. 

Apenas que não os devemos ir “despejar” lá. Porque infelizmente isso acontece muito. “O pai já não está em condições de ficar em casa sozinho, é melhor pô-lo num lar”, até aí tudo bem, a questão é: Quantas vezes os vamos visitar? Quantas vezes lhes telefonamos? Ou será que nos limitamos a deixá-los lá para não mais nos preocuparmos?

Olhemos à nossa volta e lembremo-nos de como tratamos as pessoas que nos rodeiam. Será que temos sido justos para com eles? Será que eles não merecem mais da nossa atenção e do nosso carinho? Não temos tempo. Provavelmente será essa a resposta que nos ocorre de imediato. Mas será mesmo essa a realidade? Não teremos nós, 10 minutos do nosso tempo para um simples telefonema ou para visitar um familiar ou amigo? 

Não podemos ir todas as semanas, vamos, por exemplo, uma vez por mês. Mas vamos. E esse ir, esse pequeno tempo que dispensámos faz alguém tão feliz. Será que já pensámos nessa perspectiva? Será que já tentámos imaginar como eles se devem sentir? 

Lembremo-nos da última vez que visitámos alguém idoso, do brilho nos seus olhos por nos ver, das suas palavras emocionadas, dos seus sorrisos e das suas lágrimas de tanta alegria. Não terá isso também significado para nós? Não nos sentiremos nós também felizes?

Eu gosto de conversar com eles, ainda que eles não se lembrem por vezes do que falámos da última vez e me contem várias vezes a mesma história. Gosto da expressão nas suas palavras ao recordar as suas vivências. Gosto do brilho nos seus olhos emocionados com o simples facto de despender alguns dos meus minutos para os ouvir. Gosto da partilha de sabedoria, de honestidade e de valores. Gosto de sentir que fiz alguém feliz com um coisa tão simples que é dar um pouco de atenção.

Púnhamos a mão na consciência. Se não for por outras razões, lembremo-nos ao menos que um dia, também nós, seremos idosos e que quando esse dia chegar não vamos querer a solidão e o desprezo das outras pessoas. Sejamos para com eles aquilo que, um dia, desejamos que sejam para connosco.



A importância do amor na terceira idade


Não existe idade para o amor, não existe idade certa para amar e ser amado, afinal, podemos encontrar o amor em qualquer fase da nossa vida. Alguns encontram muito cedo, outros encontram um pouco tarde, mas o importante é não se deixar abater ou ter medo de viver uma grande aventura amorosa.

Infelizmente, o amor na terceira idade ainda é um tabu, as pessoas esquecem que ele apenas não é diferente dos outros amores, mas também é muito importante para os idosos. 

Amor mais velho
Encontrar o amor na terceira idade pode ser extremamente benéfico para ajudar o indivíduo a enfrentar as situações diárias que os idosos passam ao envelhecer. Infelizmente, ainda existe muito preconceito, muitas pessoas acreditam que uma pessoa de 60 anos ou mais já não sabe mais namorar, beijar, etc., o que é um grande erro, pois os idosos podem sim amar e serem amados nesta fase.

Os benefícios
Hoje em dia podemos encontrar muitos idosos sozinhos, alguns perderam seus companheiros, outros estão longe dos filhos que já se casaram e formaram suas próprias famílias, e essa solidão traz inúmeras doenças, inclusive a depressão que é muito comum nos idosos.

Quem possui uma relação de amor e companheirismo na terceira idade acaba se tornando ainda mais disposto e ativo socialmente, além disso, os benefícios na saúde também são comprovados, uma vez que o organismo funciona melhor, o humor fica mais alegre e auto estima lá em cima, o que é importantíssimo para garantir o bem-estar do indivíduo.

O amor
Amar é muito bom, não há nada melhor do que ter alguém ao nosso lado para dividir os melhores momentos, os mais tristes também, dar muitas risadas, desabafar, conversar e compartilhar sonhos.
Para qualquer um de nós, em qualquer idade é fundamental ter ao nosso lado alguém com quem a gente possa contar e que sabemos que só quer o nosso bem em todas as situações.

O amor na terceira idade é mais calmo, e mais racional, uma vez que os idosos já tiveram inúmeras experiências e sabem bem como enfrentar os obstáculos da vida conduzindo um relacionamento melhor do que qualquer um de nós.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Cardeal Baldisseri: pandemia e jovens, exemplos de solidariedade

Inspirado em um livro recentemente publicado sobre a pastoral dos jovens, o cardeal Lorenzo Baldisseri reflete sobre a pastoral dos jovens na pós-pandemia, sublinhando a importância de envolve-los em sintonia com a “Christus vivit” do Papa Francisco.

A Libreria Editrice Vaticana publicou recentemente o livro “O Espírito renova tudo. Uma Pastoral Jovem para os Jovens” da religiosa Nathalie Becquart que dedicou mais de 30 anos ao apostolado dos jovens na França. O cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, reflecte sobre este tema acentuando a importância de envolver os jovens nas instituições eclesiais, renovando a pastoral para as novas gerações. O cardeal concentra a atenção a partir da actualidade marcada pela convivência com o coronavírus que dificultou a retomada das actividades paroquiais como catequeses e encontros de jovens nas paróquias.

O aqui e agora
"Antes de tudo - diz o cardeal - eu gostaria de agradecer a todos os jovens que trabalharam efectivamente durante a pandemia”. Foi preciso muito pouco para estimulá-los em um momento dramático para a história do mundo inteiro.  "Os jovens - continua o Cardeal Baldisseri - demonstraram que não representam o futuro, mas o presente". Uma verdade destacada várias vezes durante os trabalhos do Sínodo dos Jovens e na Exortação pós-sinodal "Christus vivit" do Papa Francisco. E o livro da religiosa Becquart também reitera isto mais uma vez, acrescentando exemplos concretos de seu próprio caminho ao lado dos jovens.

Dar espaço
O contexto inédito de hoje nos leva a considerar as iniciativas pastorais de maneira diferente.
No entanto, estes ensinamentos são sempre válidos. "Vemos que lentamente o ritmo está normalizando - observa o Secretário Geral do Sínodo - e a projecção futura nos diz que precisamos da contribuição dos jovens se quisermos renovar as coisas". Antes de mais nada, é necessário entender onde estão os jovens. "No passado, a paróquia tinha o campinho de futebol, a sala de diversões. Mas agora isso não é mais suficiente. Os jovens", diz ele, "estão nas ruas". E é para lá que temos que ir para encontrá-los".

O acompanhamento
A ideia básica é simples. "Como Igreja - explica o Cardeal Baldisseri - devemos ter a coragem de confiar nos jovens, sem pensar que eles são imaturos". Eles podem cair, certamente. Todos nós somos frágeis. Mas a ideia básica de tudo é o acompanhamento. Companheiro significa "cum pane", ou seja, aquele que divide o pão e, portanto, se torna familiar. Então o companheiro não fica atrás ou na frente, ele fica ao lado porque estão juntos".

Ir às ruas
O que aconselhar aos educadores e sacerdotes que lidam com os jovens? “O que devemos fazer", continuou ele, "é nos aproximar dos jovens: ouvi-los e conversar com eles, seguindo a sugestão deste livro". É por isso que devemos ir às ruas, nos estádios, nas academias. Mas - adverte ele – não são os sacerdotes que devem ir a esses lugares. São os jovens formados, mesmo que "formado" seja uma palavra antiga. Deve ir o jovem que assumiu, que sentiu que se tornou diferente, que quer se expressar e que quer dar".

O discernimento
O Cardeal Baldisseri nos convida a ampliar nossos horizontes e identifica outra função estratégica da paróquia que poderia captar o interesse dos jovens. "Por volta dos 15 anos - explica ele - começa-se a pensar sobre as escolhas para o futuro. E nem sempre encontram apoio suficiente na família". Assim, não só o pároco, mas também os jovens leigos podem ajudar. "São eles que devem ser missionários". Este - conclui - é o centro de tudo: todos os batizados são missionários e discípulos de Cristo, embora com diferentes papéis, carismas e ministérios".

Fonte
Vaticano

Um convite do Papa Francisco no dia dos avós celebrada este domingo


"Gostaria de convidar os jovens a fazer um gesto de ternura para com os idosos". O Papa Francisco no Angelus pediu para não deixar os idosos sozinhos e para usar a "fantasia do amor"

Gostaria de convidar os jovens a fazer um gesto de ternura para com os idosos, especialmente os que vivem sozinhos, nos lares e residências, aqueles que não vêem os seus entes queridos há muitos meses.

Queridos jovens, cada uma destas pessoas idosas é o vosso avô! Não as deixeis sozinhas! Recorrei à fantasia do amor, fazei-lhes telefonemas, chamadas em vídeo, enviai mensagens, ouvi-as e, se possível em conformidade com as normas médicas, ide também visitá-las. Enviai-lhes um abraço.
Com estas palavras o Papa Francisco recordou a festa dos Santos Joaquim e Ana, os "avós" de Jesus.

E concluiu:
Elas são as vossas raízes. Uma árvore separada das raízes não cresce, não dá flores nem frutos. Por isso são importantes a união e a ligação com as vossas raízes.
“O que a árvore tem de florescido vem das suas raízes”, diz um poeta da minha pátria. É por isso que vos convido a dar uma grande salva de palmas aos nossos avós, todos!


Fonte
https://www.santegidio.org/pageID/30284/langID/pt/itemID/37176/Gostaria-de-convidar-os-jovens-a-fazer-um-gesto-de-ternura-para-com-os-idosos-O-Papa-Francisco-no-Angelus-pediu-para-n%C3%A3o-deixar-os-idosos-sozinhos-e-para-usar-a-fantasia-do-amor.html?fbclid=IwAR3R9S35fcNlKtyTsXMl2IFPDn8zUNb1r6gZnM2xgz_IJGW3IN8g0o1hTew

Mensagens de netos para avós

O amor, carinho, cuidado e presença dos nossos avós são marcantes em toda a nossa vida e, por isso, devemos tornar o dia deles o mais especial possível, com acções, amor e palavras!

Celebrou-se neste domingo 26 de julho o dia internacional dos avós. Para assinalar o dia alguns jovens exprimiram seus sentimentos em homenagem aos seus avós.


Meus queridos avós, passaram muitos anos, recordo os dias em que nós brincávamos na sala de estar, me carregavam no colo, contavam histórias e diziam que me amavam e que eu era o vosso “pequenino”. Hoje, eu vos recordo com gratidão e amor tudo o que fizeram por mim e pelos meus irmãos. Muito obrigado por terem sido meus verdadeiros heróis. Eu vos amo!
Olegário Delgado

Gratidão. Essa é a palavra que me vem à cabeça quando lembro de você avó Lilinha. Lembro me do amor, carinho, abraços apertados que recebia de ti… Minha avó, hoje quero apenas agradecer pelo senhora simplesmente ser a minha avó e se fazer presente em minha vida. Sua presença me fez e, constantemente, ainda me faz uma pessoa muito melhor. Feliz Dia dos Avós, eu te amo!
Celina Correia

sábado, 25 de julho de 2020

Viva Idosos: Entrega de refeições em domicílio leva alegria para idosos

Sorrisos, nostalgia, emoção, vontade de querer voltar ao convívio normal com os demais beneficiários vêm marcando a entrega de refeição quente em domicílio aos idosos que integram o projecto Viva Idosos, iniciativa do Movimento Jovens pela Paz, financiado pelo Ministério da Família e Inclusão Social.


Safende, São Filipe, Achadinha Pires, Vila Nova, são os bairros até agora abrangidos.
Para Leandro “Toty” residente em Ponta d´ Agua, a primeira vez que a equipa apareceu na sua casa a sensação foi de surpresa “Não esperava e fiquei muito feliz em vê-los aqui”.

Apesar da pandemia da covid 19, ele diz estar tranquilo e seguindo a recomendações das autoridades de saúde. Porém, não escondeu a saudade que sente do convívio com os outros idosos. “Quero que tudo isso acabe logo para voltar para lá”.

O filho do senhor Leandro afirma que as refeições entregues têm ajudado bastante no dia-a-dia da família. “Vivemos nós os dois dentro desta casa, a minha mãe faleceu há alguns meses. A entrega dos alimentos facilita muito, embora poderia ser com mais frequência”, disse o filho de Toty.

Dona “Zita” a octogenária de Achadinha Pires disse a nossa equipa, “não vejo a hora de voltar às actividades no Viva Idoso”. E quando a equipa chega para levar as refeições ela fica feliz.
A entrega das refeições tem sido apenas nas quartas e sábados. Para além das refeições quentes os idosos recebem cestas básicas.

Desde do inicio da segunda fase do projecto (junho) a equipa entregou 47 kits de protecção (álcool 70%, álcool em gel e mascaras) 19 cestas e várias refeições.

Alimento para a alma

“Para nós que temos o compromisso de cuidar da pessoa idosa é um privilégio ter a oportunidade levar esse cuidado e carinho para eles. Sem contar a gratidão que vem deles e das famílias”, disse a coordenadora do projecto Viva Idosos Silvana Semedo.

"Ficamos tristes porque gostaríamos de fazer as entregas mais vezes, Muitos idosos não possuem condições para confeccionar suas refeições, nem meios financeiros".  Para esta responsável, “tão importante quando o alimento, é que eles sintam a mobilização da equipe para cuidar deles”.

Delivery de carinho

Com disposição e sorriso no rosto, ás 13 horas os seis profissionais se reúnem para fazer a entrega das refeições confeccionado pela Lourdes Gonçalves.
A alimentação em domicílio será mantida enquanto durar a suspensão do serviço das actividades presencias.

Protecção

A suspensão das actividades é uma das acções de prevenção e protecção à saúde e bem-estar de pessoas com mais de 60 anos, consideradas como população de risco ao vírus Covid-19.

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Viva Idosos: Jovens disponibilizam tempo para cuidar de idosos


 Os jovens da sociedade actual estão infelizmente cada vez mais desvinculados dos idosos, daí a preocupação em resgatar os laços entre as duas gerações, aliando a sabedoria e experiência de vida dos idosos com conhecimentos da vida moderna dos jovens.

O projecto Viva Idosos promovido pelo Movimento Jovens pela Paz e financiado pelo Ministério da Família e inclusão Social, já vai na sua segunda fase. Para além de diferentes objectivos, surgiu também como forma de quebrar as barreiras, mostrando a importância da valorização da terceira idade. Provar que é possível estas duas gerações terem uma convivência saudável, de partilha de saberes.

A equipa constituída 100% por jovens realizou nesta segunda fase do projecto 47 visitas domiciliarias, entregou 47 kits para protecção individual neste tempo de pandemia da covid 19, (mascaras, álcool 70% e em gel), entregou 19 cestas básicas e grande número de refeições quentes.

Nas visitas domiciliárias, todos os idosos foram avaliados sobre o estado de saúde física e mental. Receberam orientações personalizadas para além de pequenas sessões informativas sobre doenças específicas nesta faixa etária, nomeadamente a diabete, hipertensão e não faltou esclarecimentos sobre a doença da actualidade, mais temida e mais falada, covid 19.

As actividades abrangeram os bairros de São Filipe, Safende, Calabaceira, Achadinha Pires, Ponta d´Agua, Vila Nova e Achada Mato, todas na cidade da Praia, Santiago.

Muitas vezes o idoso é visto pelos mais jovens como alguém sem expectativas de vida, sem maiores oportunidades na sociedade e que acaba sendo alienado ao que lhe é proporcionado, sendo muitas vezes ligado à visão de incapacidade física e doença.
A relação inter-geracional entre crianças, adolescentes, jovens e idosos é cada vez mais uma necessidade.

Esses jovens (equipa) no terreno poderiam estar em outras actividades com outros jovens, mas abraçaram esta missão que é cuidar do idoso e incentivar outros a fazer o mesmo, porque acredita-se que as trocas inter-geracionais facilitam a integração de gerações, facilitando a tolerância e a identificação positiva com os idosos.

Esta atitude não nos faz pensar que estes jovens (equipa Viva Idosos) são os melhores, até porque deveria ser um comportamento normal, talvez “um dever” um “reconhecimento” por tudo o que os idosos de hoje fizeram e ainda fazem pela sociedade.

O Movimento Jovens pela Paz  (JxP) acredita que os idosos precisam ser estimulados a interagir produtivamente com todas as faixas etárias. A promoção, a sensibilização e a importância da aproximação entre as gerações é um dos principais objectivos do projecto Viva Idosos.

Isto é, quebrar as barreiras acreditando que a geração mais jovem também transmite aos idosos valores e conhecimentos do mundo actual, podendo haver troca de saberes e experiências que permitam maior interacção entre essas gerações.


Por Cláudia Santos