sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Idosos de Safende, Achadinha Pires e Achada S.Filipe trabalham destreza mostrando talento na pintura


A psicomotricidade é um caminho que abre possibilidades aos idosos de encontrarem outras formas de fazer, outras maneiras de pensar, outros sonhos a realizar..., aprendendo a envelhecer com felicidade e prazer. 

Este foi o objectivo do encontro realizado no dia 08, no quarta-feira com idosos de Safende, Achadinha Pires e Achada São Filipe no centro multiuso de Alto Safende.

No mundo inteiro, a população idosa vem crescendo numa grande proporção. E em Cabo Verde, essa realidade não é diferente, principalmente nas últimas décadas. Com isso, vem crescendo a preocupação em produzir conhecimentos que favoreçam o bem-estar biopsicossocial das pessoas na terceira idade. 

Visando um envelhecimento ativo, a psicomotricidade assume importante papel na promoção de saúde do idoso através de diferentes dimensões, tais como, preventivas, educativas e reeducativas, proporcionando benefícios biopsicossociais, e consequentemente qualidade de vida. 


domingo, 5 de setembro de 2021

Idosos desfrutam de convívio ao ar livre em Cidade Velha

 

Já se foi o tempo em que os idosos só tinham tempo para fazer croché e se sentarem nas varandas. Os idosos de hoje são activos e dão vida a tudo aquilo que fazem.

Aproveitando a manhã ensolarada e os dias quentes atípicos de Cabo Verde, o projecto Viva Idosos realizou uma atividade diferenciada com os idosos no passado domingo 26 de Agosto. A actividade aconteceu na Cidade Velha, berço da cabo-verdianidade no município de Ribeira Grande de Santiago.

Para além de várias actividades, e da viagem de iace, não faltou energia para o já tradicional batuco ao ar livre e também desenvolveram jogos cooperativos.

O objetivo da atividade foi minimizar os impactos do isolamento imposto pelo novo coronavirús. De acordo com a psicóloga Vitória Monteiro, o isolamento foi uma solução com o objetivo de proteger o grupo de maior risco, mas o preço pago foi a solidão, o medo, insegurança, stress e a depressão nos idosos.

O momento de convívio ao ar livre respeitando imperiosamente todas as normas de segurança, acrescida com maior número de idosos vacinados, proporcionou momentos de muita diversão, companheirismo e partilha.

Um dos objectivos do projecto Viva os Idosos é a promoção de uma vida activa e saudável e a convivência entre os jovens e os idosos.

Cercados pelas paisagens de um dos cartões postais do município de Ribeira Grande de Santiago, os idosos ainda tiveram um momento de relaxamento e reflexão.

Estas atividades são muito importantes como estímulo de valorização da pessoa idosa para que se sintam protagonistas sociais, sempre buscando fortalecer os vínculos afetivos e comunitários.

 

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Idosos de Alto Safende partilham vivências com o Padre Ângelo Romano da Comunidade de Sant Egídio em Itália

Idosos da comunidade de Alto Safende integrantes do projecto Viva os Idosos, iniciativa do Movimento Jovens pela Paz, receberam na tarde deste sábado, 21, a honrosa presença do Padre Ângelo Romano, membro da Comunidade Sant Egídio na Itália, ondes trocaram vivências.

O encontro com os idosos teve como foco a Covid 19, pandemia que afectou o mundo, não excluindo a Itália onde a experiência foi catastrófica com maior incidência nos idosos, grupo de maior risco.

Segundo a BBC, O perfil da maior parte dos mortos relacionados ao novo coronavírus na Itália, o segundo país mais afetado até agora pela pandemia, se assemelha aos da China, epicentro do novo vírus: os efeitos são particularmente fortes nos idosos do sexo masculino que já conviviam com alguma doença.

Na Itália, contudo, diante da população idosa proporcionalmente maior, a taxa de mortalidade da doença causada pelo vírus, a covid-19, chegou em março a 7,7%, enquanto o índice chinês médio foi de 2,3%.

Conforme os dados do Ministério da Saúde Italiano que monitora a emergência nacionalmente, a média de idade dos italianos infectados pelo coronavírus é de 63 anos, sendo que 60% deles são do sexo masculino.

Apesar de ainda não haver dados oficiais sobre o numero de idosos vitimas mortais em Cabo Verde, a tendência é a mesma, sabe- que a maioria dos óbitos se fixou na população idosa.

Após ouvir as experiências do projecto Viva os idosos, o sacerdote ressaltou a importância dos jovens no cuidado com os idosos, sobretudo no que toca as medidas em virtude do novo coronavírus.

A Comunidade de Sant’Egidio, è uma comunidade cristã nascida em Roma em 1968 logo após o Concílio Vaticano II, por iniciativa do Andrea Riccardi, num liceu no centro de Roma. Ao longo dos anos tornou-se uma rede de comunidades que, em mais de setenta Países do mundo, focando nas periferias e nos “periféricos”, reúne homens e mulheres de toda idade e condição, unidos por um laço de fraternidade, pela escuta do Evangelho e pelo compromisso voluntário e gratuito em prol dos pobres e da paz.

O Movimento Jovens pela Paz – JxP” é um movimento mundial de jovens que nasceu no seio da comunidade de Santo Egídio, um movimento internacional muito conhecido na promoção da paz e mediação de conflitos e cultura de encontros e fraternidade.

Por Cláudia Santos


sábado, 5 de junho de 2021

“Obedecer os pais é a chave para uma vida longa” Rita Duarte “Alice”


"Memórias e histórias de vida: Dando Voz a pessoa idosa" do projecto Viva os idosos trouxe desta feita o ensinamento de Rita Mendes Duarte, conhecida por Alice de 61 anos, mãe de 7 filhos que defende a obediência aos pais com a chave para uma vida longa e de sucessos.

Mulher guerreira batalhadora com uma força de leoa. Já passou por várias dificuldades na vida, mas a vontade de lutar sempre falou mais alto o que fez dela a mulher que é hoje ainda com todos os desafios.

É ela quem logo de manhãzinha coloca o pão fresco na mesa dos moradores de Alto Safende onde também reside. A venda de pão foi uma forma que esta mulher viúva encontrou para ajudar no sustento da família e de estar mais activa.

Apesar da tarefa de cuidar dos dois filhos doentes desempenhada com muito amor e dedicação, “Alice” como é carinhosamente apelidada, olha para a vida como um “dom de Deus” que deve ser vista como um “bem precioso” por isso o motivo da sua luta diária.

"Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor, o teu Deus, te dá” Exodo 20:12.é esta a visão defendida por Alice quando questionada sobre a educação nos dias de hoje.

Para esta mãe, o dever de todo o filho é obedecer aos pais, porque acredita ser esta a chave para uma vida longa, entretanto considera que esta prática tem vindo a desaparecer. 

Ao responder ao pedido para deixar uma mensagem aos jovens, Alice adiantou que o conselho dos pais deve sempre ser ouvido e levado em consideração, considerando que “os pais têm sabedoria e seu ensino pode ajudar até quando o filho já é velho”.

Cláudia Santos


sexta-feira, 4 de junho de 2021

Viva os Idosos participa em massa em roda de reflexão"Cada um de nós é um potencial idoso"


“Cada um de nós é um potencial idoso” foi tema de conversa da roda de reflexão realizada na manhã desta quinta-feira por um grupo de entidades e pessoas singulares que lidam com idosos na ilha de Santiago. 

O encontro serviu para debater questões pertinentes ligadas a esta classe que representa 6 por cento (%) da população cabo-verdiana frisando o fortalecimento das experiências de serviço aos idosos e constituir uma frente "multisensorial"  para defender de forma “harmonizada e humanizada” a pessoa idosa.

O projecto Viva os Idosos que já segue na terceira fase, tem como promotor o Movimento Jovens pela Paz. Trata-se de um projecto com responsabilidades social nomeadamente na valorização da pessoa idosa, e daí o motivo a participação em massa da equipa na Roda de Reflexão intitulada “Cada um de nós é um potencial idoso” promovida por instituições que lidam com idosos.


A apresentação feita pela psicóloga do projecto Vitória Monteiro que veio acompanhando os integrantes desde da primeira fase.

A falta de condições financeiras e recursos humanos especializados na área, dificuldades no transporte de idosos foram as barreiras mais apontadas pelas instituições.

A Covid 19 veio colocar a nu cada vez mais as fragilidades dos idosos por esse motivo durante o encontro os presentes fizeram um parente onde debruçarem sobre como servir a pessoa idosa em contexto de pandemia - limitações e respostas encontradas.

O isolamento, a solidão e a depressão foram os maiores problemas encontrados nos idosos na sequência do surgimento do novo coronavirus.

Algumas propostas saídas do encontro foram a criação de um caderno da pessoa idosa, igualmente de uma rede das instituições que trabalham com a terceira idade no sentido de fortalecer ainda mais e incentivar o Governo na criação de políticas direccionadas a esta população.


A iniciativa roda de Conversa: Cada um de nós é um potencial idoso” pretende ser um espaço de debate e partilha mensal entre as partes com responsabilidades nos idosos a fim de fortalecer uns aos outros no serviço aos idosos com gestos, palavras e políticas. 

O encontro que teve lugar na sala de reuniões do Ministério da Saúde contou com várias instituições, entre elas  o Movimento Jovens pela Paz na qualidade do projecto Viva os Idosos, Comunidade Sant´ Egidio, Cruz Vermelha, Associação Nôs Saúde, Câmara Municipal de São Domingos, incluindo a coordenadora responsável pela Direcção Nacional da Saúde do Idoso, enfermeira Natalina Silva, entre outras pessoas singulares lidam com os idosos.

Cláudia Santos


terça-feira, 1 de junho de 2021

Maria Mendes da Veiga “Titina” a jovem de 84 anos apaixonada pelo batuque


A iniciativa "Memórias e histórias de vida: Dando voz a pessoa idosa" foi ao encontro da “Titina” uma das integrantes que vem animando as actividades do projecto Viva Idosos destacando sempre com o seu bom humor, boa disposição para brincar e ” pilar o batuku”.

Natural de São Lourenço do Orgãos, Santiago, residente há vários anos na cidade da Praia. Esta mãe de quatro filhos apesar de viver tempos difíceis, trabalhando na apanha de lenha, venda de “tambarina, simbrom” e carregamento de pedras, nunca deixou de viver as coisas boas da vida, como ir as festas e se divertir nos bailes do “batuko”.

Batuque é um género de música e dança, património de Cabo Verde, interpretado com base em percussão em panos/almofadas e no canto-resposta, é tido como tradicional de Santiago. Está muito ligado às festas familiares de casamentos e baptizados, revela o importante papel de canal de expressão psico-física da vitalidade criativa.

Ao longo do tempo passou por algumas transformações, e se no passado foi visto com menosprezo e como algo restrito ao interior de Santiago, hoje é um género musical de prestígio. 

Era executado apenas por mulheres sentadas, marcando o ritmo percutindo enchumaços que prendido no regaço a cantar, enquanto outras batiam palmas, e outras ainda se revezam num dança frenética, mas actualmente os homens também ganharam espaço neste género e até já estão integrados em grupos.

“O batuque era o nosso único divertimento na época e por isso eu sempre participava na animação de festas como baptizados e casamentos”, disse lamentando hoje o isolamento e falta do convívio social, roubada pela pandemia da covid 19.

"Memórias e histórias de vida: Dando voz a pessoa idosa" é uma rubrica do Viva os Idosos com base em histórias e relatos de memórias dos integrantes do projecto com o propósito de valorizar a existência, experiência e sabedoria desses sujeitos que muito contribuíram para a sociedade e que têm muito a ensinar para gerações mais jovens possibilitando um espaço para que estes narrem suas próprias histórias de vida.

O projecto Viva Idosos é uma iniciativa financiada pelo Ministério da Família e Inclusão Social promovida pelo Movimento Jovens pelas Paz com o objectivo valorizar a população idosa e sua sabedoria e possibilitar o contacto e a troca de experiências entre jovens fomentando relações entre indivíduos pertencentes a diferentes grupos etários, não se restringindo ao contexto familiar. 

Cláudia Santos


segunda-feira, 31 de maio de 2021

“Tenho saudades do tempo em que os vizinhos se tratavam como irmãos” Angélica Cardoso

Um dos objectivos da iniciativa "Memórias e histórias de vida: Dando voz a pessoa idosa" é resgatar memórias, histórias e vivências de outrora contadas em primeira mão através daqueles que viveram experiências que merecem ser partilhadas. 

A nossa entrevistada de hoje é a dona Angélica de 93 natural de São Miguel, residente há mais de 20 anos na Praia. Ela nos leva para o seu tempo onde os vizinhos eram muito unidos e se tratavam com parentes.

Mas antes, “Vovô”como é carinhosamente chamada por todos conta-nos que parte da sua juventude foi vivida em São Tomé onde era galinheira, recolhia ovos para levar aos “brancos” e colocava as aves nas capoeiras. Depois deste período regressou á Cabo Verde onde trabalhou na lavoura, cimenteira e partilhava como os vizinhos.

No meu tempo os vizinhos cuidavam uns dos outros, hoje infelizmente não existe mais esta prática, assevera “Vovô” considerando que actualmente não se fazem mais vizinhos como antigamente.

Recordando algumas vivências a jovem de 93 anos assegura com nostalgia que hoje, as pessoas pouco se falam, outros nem sabem se são vizinhos. 

“Tenho saudades daquele tempo onde os vizinhos se preocupavam uns com os outros, as pessoas mais velhas educavam e cuidavam dos filhos dos outros. Era muito bom este tempo, enquanto as crianças se juntavam para brincar no final da tarde e á noite, os pais e os jovens adultos se juntavam todos na porta da casa, os degraus das escadas serviam de assentos, juntava muita gente, e era ali que todos conheciam, brincavam” recorda.

Como é que brincavam as crianças do seu tempo?

Angélica (Vovô): Divertíamos jogando, brincávamos de tudo o que nos davam na telha, fazíamos grandes rodas, ouvíamos histórias dos mais velhos, “pique queimada”, rolávamos no chão e corríamos muito. Era uma tortura quando nos colocavam de castigo de uma semana sem brincar. 

E nos tempos actuais?

Angélica (Vovô): As brincadeiras de hoje em dia é muito diferente, as crianças quase que não se entendam, brincam mais com os telemóveis. As mães desentendem-se umas com as outras por causa dos filhos, mas no meu tempo isto não existia. 

Se as crianças de desentenderem, qualquer mãe ia lá exigir que fizessem as pazes e ainda rendiam algumas palmadas quando passavam do ponto, as palmadas até que nem doíam muito, mas o castigo.

Segundo dona Angélica, os vizinhos eram tão unidos que pareciam ser todos parentes, por outro lado acredita que hoje em dia nem todas as famílias são unidas, mas que felizmente teve a sorte de ter uma família que cuida dela e se preocupa.

Como é que os vizinhos se tratavam?

Angélica (Vovô): Já não temos mais vizinhos como antigamente, as pessoas se ajudavam, se sentavam na varanda de um ou de outro para conversar, jogar, comer e beber e se divertirem, isso talvez ainda tenha em alguns bairros e com certeza em cidades menores, mas até nessas cidades esse costume tem ficado raro.

Quando a árvore produzia muito era comum um vizinho levar para o outro. Todas as pessoas que moravam por perto eram conhecidas, era seguro para todos nós. Hoje não aconselho ninguém a brincar na rua por causa da insegurança. 

Com o crescimento das cidades e a semelhança do que acontece em países desenvolvidos as mudanças são constantes e tem repercussão na vida das pessoas.

Dona Angélica assegura que pelas ruas quase não se conhecem mais os vizinhos, quase que não há mais crianças na rua brincando e que nos dias actuais poucas pessoas se cumprimentem e se ajudam mutuamente.

Cláudia Santos